“Todo o concelho, onde predominam os xistos argilosos, faz parte do Maciço Antigo ou bordo ocidental do Maciço Hespérico que, iniciando-se nos vizinhos concelhos de Tomar e Ferreira do Zêzere, se estende à Beira Baixa e a Espanha. É composto por formações do Paleozóico (570 a 280 milhões de anos) que se traduz em xistos, mica-xistos, gneisses, grauvaques e quartzítos.
O concelho é muito montanhoso, apesar de as cotas máximas não serem muito elevadas. O sistema mais importante é a cadeia montanhosa xisto-grauváquica que, entrando no concelho no Cerro do Castelo, passa pelos picos de Maria Tomé, Pico do Cebolinho, Cabeço da Pena, Vila de Rei, Retaxo e São Marcos, dando depois origem à serra da Amêndoa. A sua altitude média ronda os 470 m. Notável é também a Serra da Milriça (onde afloram alguns granitos de grão muito grosso e pouco consistente) e onde se situa o Marco Geodésico que assinala o Centro de Portugal. A cota máxima situa-se nos 566 m.
Entre estes sistemas montanhosos existe uma vasta rede hidrográfica, constituída por inúmeros ribeiros e ribeiras, que se escoam através das ribeiras da Isna, Bostelim, Cortelhas e Codes, sendo a primeira e a última afluentes da margem esquerda do rio Zêzere. Estas correm entre vales apertados, em V, desenhando no seu percurso imensos meandros.
A topografia das áreas de xisto favorece, com a multiplicidade de declives acentuados, o trabalho de erosão. Constitui-se assim, sobre as vertentes, uma cobertura de resíduos que se fragmentam e que são levados pela escorrência antes de chegarem a alterar-se completamente. Assim, em vez de um solo argiloso de alteração, que só se constitui em áreas planas, forma-se um terreno cascalhento muito pobre, imperfeitamente coberto por um solo esquelético. Por essa razão, os poucos solos existentes constituem solos ingratos para a lavoura e são pobres no seu rendimento, pois não possuem elementos fertilizantes, como a cal e o ferro. Constituem excepção as zonas planálticas de Lagoa Cimeira e o triângulo Vale de Grou-Penedo-Portela, onde se observam solos de boa qualidade”. In “ Levantamento arqueológico do concelho de Vila de Rei ”, de Carlos Batata e Filomena Gaspar.
“Na zona sul do concelho, entre a Serra da Milriça e a ribeira do Codes e, pela margem desta ribeira até ao rio Zêzere, há grandes massas de terreno de aluvião. Decerto, por isso, coube também à nossa terra um pouco da riqueza de metais que, no mundo antigo, tornou famosa a Lusitânia e, em geral, a Península Ibérica. Povos que nos precederam exploraram o ouro nos arredores da Vila (em zonas de quartzite) e, especialmente, nas ladeiras do Codes bem como nas margens e areias do Zêzere”. In “ Vila de Rei e o seu concelho ” de Monsenhor Dr. José Maria Félix.
“Das actividades mineiras fala-nos, de uma maneira bem impressionante, o solo vilarregense. Vila de Rei foi, sem dúvida, um dos maiores centros mineiros da Lusitânia”. In “ Villa d'El-Rey ”, de Mário Francisco Alves.
Vestígios muito importantes e visíveis, são as conheiras existentes nas margens da ribeira do Codes e do Zêzere e que constituem amontoados de enormes quantidades de conhos (seixos) resultantes da exploração de ouro por aluvião.