Biblioteca Municipal José Cardoso Pires

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Apresentação

Biblioteca
A Biblioteca Municipal José Cardoso Pires surge no seguimento da celebração de um contrato-programa entre o IPLB (substituído pela DGLB) e a Câmara Municipal de Vila de Rei.

Inaugurada em 26 de Outubro de 2008, por sua excelência o Sr. Presidente da República Portuguesa, Professor Aníbal Cavaco Silva, é uma instituição multifacetada, pretendendo dar cumprimento aos objectivos do Manifesto da Unesco para as Bibliotecas Públicas, nomeadamente: a disponibilização de novos suporte, o empréstimo domiciliário e o acesso a novas tecnologias de informação, implementando e prosseguindo uma política de abertura à sociedade e democratização da cultura. Além disso, é também um repositório da memória histórica do concelho de Vila de Rei, em particular, e da Beira Baixa em geral, tendo à sua guarda uma diversidade de documentação que deu entrada nas suas instalações quer por via das incorporações legais a que está sujeita, quer por aquisição, depósito ou oferta de conjuntos documentais de particulares.

O edifício dispõe de duas salas de leitura, um pequeno auditório com capacidade para cerca de 60 lugares sentados, uma área de exposições temporárias e a Sala José Cardoso Pires, que contém todo o espólio doado pela família do escritor ao Município de Vila de Rei (biblioteca pessoal, prémios e também todas as edições das obras do escritor natural deste concelho).

Na sala de leitura de adultos encontra-se ainda o Centro de Estudos Padre João Maia, S.J. de onde constam muitos dos títulos assinados pelo sacerdote jesuíta natural do Monte Novo (localidade na freguesia de Fundada, concelho de Vila de Rei), bem como outras obras gentilmente cedidas pela Companhia de Jesus, relativas não só à sua própria história, mas também à de Portugal, incluindo outras monografias de interesse cívico e cultural.

Este equipamento cultural, fazendo parte da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, pretende oferecer um serviço de leitura pública a toda a população, independentemente da sua idade, profissão, nível educativo ou socioeconómico ou local onde resida, bem como cumprir as missões da Biblioteca Pública (Manifesto da UNESCO sobre Bibliotecas Públicas).

O programa “Rede Nacional de Bibliotecas Públicas” teve como prática inicial uma orientação pela ideia de que é necessário “diminuir as barreiras e as distâncias existentes entre grandes e pequenos centros” (…) pois alguém num pequeno centro “poderá ter as mesmas exigências, gostos e contingências que uma pessoa num grande centro urbano”. Por outro lado, o facto de aceitarmos a existência de um utilizador universal – sem estereótipos ou paradigmas – promove a valorização e aceitação da diversidade dos povos na senda dos valores sociais e democráticos de um estado de direito.

Para além da promoção das condições de igualdade no acesso à informação, às ideias e aos produtos da criação humana geral, um espaço cultural como a Biblioteca Municipal José Cardoso Pires no concelho de Vila de Rei, comporta um impacto social de um serviço ao nível educacional. Comporta igualmente um impacto na leitura e literacia pela disponibilização gratuita de informação em diferentes formas e suportes. Por outro lado ainda, a médio prazo, assumirá um papel educacional e económico para o concelho na medida em que potencia o conhecimento sendo essa uma arma para o progresso económico.

Na senda e apanágio de um estado democrático, fomenta-se a formação para a promoção de uma sociedade civil com maior intervenção.

Com uma média superior a seiscentos utilizadores por mês, a BM. JCP tem desenvolvido actividades lúdicas e educativas na senda da pretensão de contribuir para uma política de criação de novos públicos leitores e de combate à iliteracia, infoexclusão e aos baixos índices de conhecimento e leitura.

Horário

De 2ª a 6ª feira 10:00 - 18:30
Sábado 15:00 - 18:00
Domingos e feriados Encerrado

José Cardoso Pires

Biografia

n. 02/10/1925, S. João do Peso, Vila de Rei, Castelo Branco
m. 26/10/1998, Lisboa

Muda-se para Lisboa ainda em criança. Conclui o curso secundário no Liceu Camões e frequenta Matemáticas Superiores na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (1943-1945).

Romancista, Dramaturgo, Contista, Jornalista, Cronista e Ensaísta é justamente designado como um dos vultos maiores e mais destacados da ficção portuguesa da segunda metade do século XX.

A sua atitude ética face ao regime corporativista é notória desde a sua primeira obra, objecto de censura – “Caminheiros e outros Contos” (1949); bem assim, é de sublinhar a preocupação com a dessalinação, com a crítica à retórica passadista e ao método real.

Sem rupturas ideológicas drásticas, supera os quadros de referência literária do Neo-Realismo, em paralelo com o talento para a renovação dos procedimentos técnicos da narrativa não só no que ao género diz respeito mas também pela original incorporação de linguagens e práticas analíticas variadas como a publicidade, cinema, televisão e fotografia, fruto das suas experiências pessoais e profissionais.

Para a compreensão da evolução narrativa contemporânea impõe-se José Cardoso Pires como incontornável pelo seu posicionamento estético. O seu interesse pela sétima arte leva-o à composição de personagens na narrativa, fílmica entendendo um Romance com algo que é uma montagem. “ O Delfim” e a vários níveis exemplo disso mesmo, sendo uma narrativa que diversas vezes se cruza compondo uma montagem.Com esta obra / Romance de 1968, José Cardoso Pires apresenta-nos uma técnica narrativa nova. O facto de compor o real em fragmentos implica um propósito de homologar a ficção com o real numa supressão do neo-realismo muito subordinado a uma lógica causal.

A sua narrativa rege-se por uma sobriedade de processos com recusa da retórica e do empolamento estilístico, na linha de Steinbeck ou Hemingway.
Ainda que a sua estreia como escritor se verifique em contexto neo-realista rapidamente se distância evidenciando um contista marcado pela short-story anglo saxónico e interessado pelo quotidiano do pós-guerra. Afirmou-se igualmente no “Conto” como cultor exímio. Por outro lado, a produção narrativa de José Cardoso Pires emerge com o Romance. Pretende então elaborar uma «história de proveito e exemplos».

Subjacente também em toda a sua escrita está tópicos como mentalidades, valores, comportamentos, retrato ideológico e politico das várias classes sociais que a sua ficção analisa.

José Cardoso Pires foi por certo um dos melhores prosadores narrativos da literatura pós-moderna e contemporânea. Assimilou de um modo inicialmente exagerado, a arte da short story americana, e reagiu de forma clara contra certos sentimentalismos ainda inerente ao neo-realismo português tradicional.

A Obra de José Cardoso Pires

De entre diversas ocupações, trabalha como correspondente de inglês, agente de vendas e intérprete. Aproxima-se do Jornalismo em 1949 pela Revista “Eva”. Nos anos 60 assina artigos para: “Almanaque”, “Gazeta Musical e de todas as Artes”, suplemento “A Mosca” do Diário de Lisboa, publicação periódica de que foi director-adjunto depois do 25 de Abril.
Ainda em 1949 publica a sua primeira obra “Os Caminheiros e outros Contos” a qual acaba por ser retirada de circulação pela Censura.
Prossegue a sua produção literária com “Histórias de Amor” (Contos, Lisboa, 1952) “O Render dos Heróis” (teatro) e “Cartilha do Marialva” (ensaio) – Lisboa, 1960. “Jogos de Azar” e “O Hóspede de Job” – Prémio Camilo Castelo Branco, da S. P. dos Escritores em 1963.
1968 escreve “O Delfim”, romance a que se segue “Dinossauro Excelentíssimo”, uma fábula cruelmente satírica de Salazar provocando grande polémica dentro da Assembleia Nacional.
“E agora, José? “ (1977) traz à luz textos entre a crónica e o ensaio; Retorna ao Conto com “O Burro em pé” (1979).
“Corpo delito na Sala de Espelhos”, 1980, esmiúça o funcionamento da Polícia política do Estado Novo (PIDE). Em 1982, publica o romance “Balada da Praia dos Cães” – Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores inspirado no assassínio do Capitão Almeida Santos, em 1960.
Seguem-se narrativas dificilmente catalogáveis em géneros: Alexandra Alpha (1987), A República dos Corvos (1988) e A Cavalo no Diabo (1994) encontram-se em linhas intermédias entre crónica, o conto e a evocação de lembranças.
Escreve ainda um admirável relatório de auto-análise, na sequência de um AVC (De Profundis, Valsa Lenta) e de um livro sobre Lisboa (Lisboa – Livro de Bordo) editado em 1999.
O Fundamento na escrita de José Cardoso Pires
No plano dos conteúdos é de sublinhar a sistemática de reflexão sobre Portugal e os Portugueses.
Este é o grande tópico que percorre toda a sua obra encontrando momentos particularmente privilegiados em “Hóspede de Job”, “O Delfim”, “A Balada da Praia dos Cães” e “Alexandra Alpha”.

Padre João Maia

Biografia

n. Fundada/Vila de Rei, 1923
m. Lisboa, 1999

Ingressou em 1940 na Companhia de Jesus, tendo-se licenciado em Filosofia pela Faculdade Pontifícia de Braga. É doutor pela Faculdade de Burgos (Espanha).
Poeta e crítico, mas também cronista e ficcionista, tem colaborado regularmente na revista Brotéria, de que é um dos principais redactores, e em outras publicações, nomeadamente a revista Colóquio e o jornal Renovador, da Sertã. Mantém além disso, na Rádio Renascença, um programa semanal de crítica literária. A sua poesia, pouco aberta a inovações formais e geralmente apoiada na rima, mereceu todavia de Jorge de Sena os epítetos de “suave e inteligente, meditativa e singela”.

Natural de Monte Novo, freguesia da Fundada.
Nasceu no seio de uma família profundamente cristã, em que eram cinco filhos e os pais dedicavam-se à agricultura. A quarta classe foi feita na Fundada.
Ia para o Abrunheiro a pé com quatro quilos de livros às costas “na altura não era comum os ricos mandarem os filhos para a escola, porque precisavam deles para trabalhar”. Os pais na altura foram criticados por mandarem um filho para tão longe.
Seguiu para a Companhia de Jesus, em Guimarães, por influência do Pe Aparício.
Esteve em Maceira de Câmara alguns anos, Guimarães e depois Espanha.

Recordações da família
Depois de ser ordenado veio celebrar a primeira missa à Fundada. A sua mãe não pôde assistir porque tinha sido operada a uma apendicite e estava internada no hospital de Abrantes. Depois da missa ele foi vê-la. Chegou a casa e “chorava, só chorava” porque o médico lhe disse que a mãe não teria mais de um mês de vida.

Foi durante trinta anos diabético e levava insulina diariamente. Morreu cego. No dia em que fazia anos (ou véspera) – em Lisboa, 14 Junho de 1999 e foi sepultado no cemitério da Fundada.

Pediu para que não lhe colocassem laje em cima, pois dizia que “para carregar o peso da vida já tinha carregado bem a parte dele”.
Os seus dotes de conversador eram inumeráveis e inesgotáveis.

O Pe João Maia exerceu um magistério cultural e espiritual de enorme irradiação e alcance. Era um conhecedor exímio da literatura e da cultura greco-latinas. Obras como a Eneida, a Ilídia, a Odisseia ou os Diálogos de Platão foram-lhe em permanência livros de cabeceira, manuseando-os na língua original. Era também um grande conhecedor de línguas e literaturas modernas – caso das castelhanas, inglesas e francesas, dominando com mestria a língua materna e suas origens, tanto na sua vertente popular como erudita.

O Pe João Maia foi colaborador mensal, durante cerca de cinquenta anos, na Revista Brotéria (valiosa no campo da Teologia, Filosofia, Literatura e História, com destaque para a história da Companhia de Jesus), especialmente no campo da crítica literária, mas também noutros: sociologia, psicologia, filosofia e teologia.
Antes do 25 de Abril escrevia e apresentava o programa quinzenal “Crítica Literária” na antiga Emissora nacional, além das mais de três décadas de crónica semanal “Textos e Pretextos”, na Rádio Renascença.
Na Fundação Calouste Gulbenkian trabalhou intensamente, realizando fichas de leitura que podem ser apreciadas pela qualidade e fiabilidade literária atribuídas e que podem ser consultadas no site da instituição.
Foi também um colaborador assíduo da Enciclopédia Verbo.
Como professor, consagrou-se um grande mestre de língua e literatura latina e grega nos Jesuítas (Guimarães e Soutelo) e em Lisboa, onde leccionou no Seminário dos Olivais, onde granjeou a estima e admiração dos alunos e colegas, sendo frequentemente também convidado para conferências, palestras e retiros espirituais.
Humanamente distinguiu-se pela simplicidade, espontaneidade e afabilidade cativantes. Estas características nobres, associadas à altíssima bagagem cultural permitiram que se relacionasse com grandes personalidades da literatura e intelectualidade, como José Régio, de quem foi bom amigo, Júlio Pomar, Ramalho Eanes e Vitorino Nemésio.
O seu nome vem mencionado algumas vezes no Dicionário de Literatura – direcção de Jacinto Prado Coelho – e no Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB).
Colaborador do jornal “O Renovador”, nos seus artigos realça a paisagem bucólica e as personalidades típicas e pitorescas da terra em que viveu a sua infância a que chamou “Aguarelas”.

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